A vida após a morte – por Victor Hugo


Meu avô, onde estires,espero que estejas bem, sorrindo e em paz como na foto, obrigada por tudo.

   Hoje, 19/03/2012 faz três anos que Said Salomão passou para o outro lado da vida. Escolhi um texto de Victor Hugo para Homenagear e lembrar meu avô.
     Quando morreu, no século XIX, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes em seu cortejo fúnebre, em plena Paris.
Lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação.O genial literato deixou textos inéditos que,por sua vontade, somente foram publicados após a sua morte.Um deles fala exatamente do homem e da imortalidade  e se traduz mais ou menos nas seguintes palavras: 

A morte não é o fim de tudo.
Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.
Na morte o homem acaba, e a alma começa.
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma.
Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.
O que constitui o meu eu, irá além.
O homem é um prisioneiro.
O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra. Coloca o pé em todas as saliências e sobe até o respiradouro.
Aí, olha, distingue ao longe a campina, aspirar o ar livre, vê a luz.
Assim é o homem.
O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo.
De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?
A morte é uma mudança de vestimenta. A alma que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.
O mundo luminoso é o mundo invisível.
O mundo do luminoso é o que não vemos.
Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.
É por demais pesado para esta terra.
Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a Terra, pelo peso que faz nela.
A morte é uma continuação. Para além das sombras, estende-se o brilho da eternidade.
As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz.
Aproximam-se cada vez mais de Deus.
O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito.
Victor Hugo – poeta, escritor e dramaturgo francês – viveu no século XIX

Sílvio Caldas - "As Pastorinhas" (1976)

Orlando Silva - A jardineira ( marchinha de carnaval - 1938 )

Carmen Miranda - "Mamãe Eu Quero" - 1940 (Down Argentine Way)

Dalva de Oliveira - Máscara negra ( marcha de carnaval - 1966 )

Dalva de Oliveira - Bandeira branca ( macha de carnaval - 1970 )-Machinha preferida de Said

Chiquinha Gonzaga - Abre alas ( marchinha de carnaval - 1939 )

Said Salomão e o Carnaval

Meu avô gostava da alegria do carnaval, me recordo de como  ele decorava sua camionete e levava os netos fantasiados para desfilar pela cidade. Ele gostava muito de machinhas, a  sua preferida era Bandeira Branca.

Abaixo algumas fotos que registram momentos de Said no Carnaval


Nas postagem seguintes algumas das machinhas preferidas de Said

Velhos Carnavais


Carnaval vem do latim carnelevament, modificado depois em carnevale! Quanto à origem, tem sido atribuído à evolução e à sobrevivência do culto de Ísis, dos festejos em honra de Dionísios, na Grécia, e até mesmo às festas dos "inocentes" e "doidos", na Idade Média, dando origem aos mais famosos carnavais dos tempos modernos.
No Brasil Colonial, e até nos primeiros tempos da República, o carnaval teria como principal nota característica o entrudo (do latim entroito, entrada), trazido de Portugal. Era uma brincadeira violenta, com uso de água, farinha-do-reino, fuligem, gema, cal, pó-de-sapato, alvaiade e vermelhão, que empapavam o transeunte. Em 1904, essa modalidade foi proibida, assumindo formas de maior leveza e graça, substituindo aqueles elementos por limões de cheiro e borrachas com água perfumada, além de bisnagas, precursoras dos lança-perfumes, feitas de metal e introduzidas em 1885. A brincadeira, desde a mais remota antiguidade, empolgava todos, inclusive os altos personagens do Império, que jogavam ovos podres e talos de hortaliças.
O entrudo envolveria até o Imperador Pedro II. O desfile de carros alegóricos teve início provavelmente em 1885, com o aparecimento do Congresso das Sumidades Carnavalescas. O primeiro baile de máscaras realizou-se em 1840. Esse baile foi seguido por inúmeros outros, de maior repercussão e afluência. Os bailes públicos tomaram conta das cidades, não só nos salões mas em lugares mais acessíveis ao povo.
No final do século XVIII, surgiram os blocos e os cordões, núcleos que se originariam nas duas mais vigorosas e típicas manifestações coletivas do carnaval de hoje, isto é, o carnaval de rua, os blocos e, sobretudo, as escolas de samba. A maior atenção do carnaval de rua sempre foi o desfile de carros alegóricos, com suas críticas e sátiras, adotando como temas de crítica os acontecimentos mais em voga da época.
A primeira música, especialmente composta para o carnaval, foi o "Abre-Alas", de Chiquinha Gonzaga, em 1899, composta para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro, título alusivo ao presente enviado pelo Papa Leão XIII à Princesa Isabel, pela promulgação da Lei Áurea. No Brasil, ao contrário do que ocorre em outros países, o carnaval se caracteriza antes pela manifestação da euforia coletiva, do desabafo popular, do humor ingênuo das multidões que saem pelas ruas para cantar suas dores e alegrias, como se pode observar nos blocos caricatos.
Continua a crescer o prestígio do carnaval brasileiro em regiões que se valem de suas características locais para transformar os festejos momescos em acontecimentos de importância no calendário turístico internacional.

O carnaval antigo, feito de marchinhas e brincado sem excessos, sobrevive apenas em locais isolados e constitui uma exceção. Infelizmente, os festejos de Momo transformaram-se, para a maioria das pessoas, em pretexto para desregramentos de todas as espécies, terreno fértil para drogas, sexo promíscuo, vandalismo e ações irresponsáveis. 
"O povo é ou não é o dono da festa?"



Gravações originais de antigos carnavais. Clique na música!

Na floresta não existe nem rebanho, nem pastor
Quando o inverno caminha, segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta, lhes indica o caminho, com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o pasto das mentes,
e o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor

Na floresta não existe ignorante ou sábio
Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório como a cerração dos campos
que se esvai quando o sol se levanta no horizonte
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o melhor saber,
e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas

Na floresta só existe lembrança dos amorosos
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram,
seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar
Dá-me a flauta e canta!
E esquece a injustiça do opressor
Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue

Na floresta não há crítico nem sensor
Se as gazelas se perturbam quando avistam companheiro, a águia não diz: ‘Que estranho’
Sábio entre nós é aquele que julga estranho
apenas o que é estranho
Ah, dá-me a flauta e canta!
O canto é a melhor loucura
e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais

Na floresta não existem homens livres ou escravos
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro,
não diz: ‘Ele é desprezível e eu sou um grande senhor’
Dá-me a flauta e canta!
Que o canto é glória autêntica,
e o lamento da flauta sobrevive ao nobre e ao vil

Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem: ‘Ele é temível’
A vontade humana é apenas uma sombra que vagueia no espaço do pensamento,
e o direito dos homens fenece como folhas de outono
Dá-me a flauta e canta!
O canto é a força do espírito,
e o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis

Na floresta não há morte nem apuros
A alegria não morre quando se vai a primavera
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração
Pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos
Dá-me a flauta e canta!
O canto é o segredo da vida eterna,
e o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência

Gibran Khalil Gibran

Quem es tu?

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.

Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."

E no meu sonho eu respondo-lhes:

"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."

Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"

Gibran Khalil Gibran

Olhando o jardim alheio

“Daí ao tolo mil inteligências, e ele não quererá senão a tua”, diz o provérbio árabe. Começamos a plantar o jardim da nossa vida e, quando olhamos para o lado, reparamos que o vizinho está ali, espiando. Ele é incapaz de fazer qualquer coisa, mas gosta de dar palpites sobre como semeamos nossas ações, plantamos nossos pensamentos, regamos nossas conquistas.
Se dermos atenção ao que ele está dizendo, terminaremos trabalhando para ele, e o jardim de nossa vida será idéia do vizinho. Terminaremos esquecendo a terra cultivada com tanto suor, fertilizada por tantas bênçãos.
Esqueceremos que cada centímetro de terra tem seus mistérios, e que só a mão paciente de um jardineiro é capaz de decifrar. Não iremos mais prestar atenção ao sol, a chuva, e as estações, ficaremos apenas concentrados naquela cabeça que nos espia por cima da cerca.
“O tolo que adora dar palpites sobre o nosso jardim, jamais cuida de suas plantas”.

Palestina: História de Uma Terra - Completo - Português

A morte não é nada


“A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.
Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.
A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?
Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho…
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.”
Santo Agostinho

Prendam os torturadores da Síria




É difícil relatar isso, mas até mesmo membros da Avaaz estão sendo torturados pelo regime monstruoso da Síria. Manhal* nos contou que foi detido em uma prisão secreta, onde removeram suas unhas dos pés e das mãos e eletrocutaram partes de seu corpo. "Eu vi a morte e fui torturado até quase morrer," ele nos contou. Mas se agirmos agora, podemos fazer do sacrifício de Manhal a última gota para o mundo se virar contra o regime de Assad. 

Os observadores da Liga Árabe falharam em impedir a repressão brutal, mas a pressão sobre Assad está aumentando. A Avaaz recentemente publicou um relatório terrível revelando a escala das unidades de detenção da Síria, incluindo o que fizeram com Manhal. Se criarmos uma pressão global massiva agora, podemos forçar governos-chave a confrontarem os horrores citados nesse relatório e acelerarem o fim de Assad

Assine a petição à direita e quando chegarmos a 500.000 assinaturas, entregaremos-na junto com o relatório da Avaaz para a Liga Árabe e para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, exigindo que eles levem Assad até à Corte Penal Internacional para ser julgado por crimes contra a humanidade.

* - “Manhal” é um pseudônimo para proteger a identidade do ativista.
Vamos aumentar a pressão sobre o único país que tem protegido Assad e bloqueado a ação internacional: Rússia. 

http://www.avaaz.org/po/arrest_syrias_torturers/?copy


Use as ferramentas abaixo para contatar líderes russos diretamente por telefone, email e Twitter
. Se enviarmos uma mensagem esmagadora para a Rússia de que o mundo não vai aceitar suas obstruções, poderemos fazer com que a ONU aja rapidamente e ajude a parar com o derramamento de sangue. 

Acesse o relatório da Avaaz que documenta os crimes contra a humanidade no link abaixo. Se todos nós encaminharmos esse documento para os líderes russos, eles não vão poder ignorar essa evidência pungente. 

http://avaazimages.s3.amazonaws.com/DetentionCentresinSyria.pdf

AS DEZ LIÇÕES DO MAIOR VENDEDOR DO MUNDO

1) Hoje começo uma vida nova. Formarei bons hábitos e me tornarei escravo deles.




2) Amarei todos os comportamentos dos homens, pois cada um tem qualidades a serem admiradas, mesmo se estiverem ocultas.



3) Persistirei até alcançar o êxito. Jamais aceitarei a derrota e retirarei de meu vocabulário palavras como desistir, não posso, incapaz, impossível, fora de cogitação, improvável, fracasso, impraticável, sem esperança e recuo, pois são palavras e expressões de tolos. O êxito de ontem não se transformará em complacência hoje, uma grande razão de fracasso.



4) Concentrarei minha energia no desafio do momento. Os problemas caseiros serão deixados em casa. Os problemas da feira serão deixados na feira.



5) Viverei hoje como se fosse meu último dia. Não desperdiçarei um momento sequer velando os infortúnios ou as derrotas de ontem. Cada minuto de hoje será mais frutífero em relação ao dia de ontem.



6) Serei dono de minhas ações. O fraco deixa seus pensamentos controlarem suas ações. Os fortes forçam suas ações a controlarem seus pensamentos.



7) Cultivarei o hábito de rir. Nenhuma criatura viva ri, à exceção do homem. Na adversidade, para manter minha vida em equilíbrio, ensaiarei as palavras “Isto também passará”, ensinadas pelos antigos. Jamais trabalharei para ser feliz, mas, sobretudo, para permanecer ocupado e não ser triste.



8) Estabelecerei objetivos para cada dia, cada semana, cada mês, cada ano e para minha vida. Ao fixar meus objetivos, pensarei em meu melhor desempenho. Superar os feitos dos outros é importante; superar meus próprios feitos é tudo.



9) Agirei agora. Não evitarei as tarefas de hoje e não as deixarei para amanhã. Para vencer o medo, devo sempre agir sem hesitação.



10) Eu suplicarei, mas apenas pedidos de orientação. Jamais suplicarei pelas coisas materiais do mundo ou dádivas de ouro, amor, saúde, vitórias, fama, êxito ou felicidade.



Baseadas no resumo de Carlos Janssen R. de Souza do livro “O maior vendedor do mundo”, de Og Mandino (Vendamais, Curitiba: Editora Quantum, jun.2004, p. 40).

O MAIOR VENDEDOR DO MUNDO


O Maior Vendedor do Mundo de OG MANDINO, foi o primeiro dos muitos livros que meu avô sugeriu a leitura, pelo título imaginei ser um livro sobre vendas, negócios e confesso que não me motivou muito a leitura do mesmo, mais decidir ler para agradá-lo. O que encontrei foi uma grande lição de vida, que me ajuda até hoje em muitos momentos.



Queria quem sabe ajudar outras pessoas. Por que independentes de trabalhar com vendas ou não, todo ser humano vende algo o tempo todo.


Segue a baixo um resumo desse livro maravilhoso.

Resumo: O Maior vendedor do mundo
Autor: Og Mandino

Hafid quer ser o maior vendedor do mundo, assim como é conhecido seu pai adotivo Pathros.

Pathros resolve colocar o jovem Hafid à prova, dando-lhe uma túnica de sua fabricação, de ótima qualidade com seu logotipo (uma estrela) bordado no tecido.

Hafid terá como tarefa ir até a cidade de Belém, que é considerada muito pobre, e vender essa túnica no prazo de quatro dias, pelo preço que achar justo.

Hafid vai, não muito animado, e chegando a cidade montado em seu burro, oferece a túnica para as pessoas nas ruas, nas casas e para os soldados, sem conseguir vende-la.

Na última noite do prazo ele resolve dormir numa gruta que fica atrás da hospedaria onde faz suas refeições.

Quando de aproxima da gruta, percebe uma luz fraca vinda de seu interior. Resolve entrar para verificar e fica surpreso ao ver um casal e um recém-nascido. O casal estava encolhido e tremia de frio, pois tinha tirado cada um sua túnica para cobrir a criança.

Hafid foi até onde estava seu burro, pegou a túnica vermelha que deveria ter vendido e cobriu o recém-nascido com ela. Devolveu as túnicas do casal que permaneceu em silêncio, e saiu, montou em seu burro para voltar ao acampamento para se encontrar com seu pai.

Ao chegar, muito desanimado ao acampamento, viu seu pai que olhou para ele assombrado, pois uma estrela emitindo uma luz que deixava a noite como o dia, parecia te-lo seguido da gruta até ali.

Hafid, envergonhado, contou a seu pai o que acontecera, que havia falhado como vendedor, e pior, havia dado a túnica para um casal desconhecido cobrir uma criança recém-nascida.

Pathros emocionado, falou que Hafid não havia falhado e à partir daquela noite seria seu sucessor como O Maior Vendedor do Mundo.

Pathros em seu leito de morte, sentindo sua missão cumprida, passou para o filho Hafid o baú contendo os dez pergaminhos de couro, onde estavam escritos os segredos para ele se transformar no Maior Vendedor do Mundo.

A primeira orientação era para que Hafid lesse cada pergaminho durante trinta dias seguidos, ao acordar, ao entardecer e antes de ir dormir.

Para colocar em prática os segredos dos pergaminhos, todos os ensinamentos neles contidos teriam que estar incorporados em Hafid.

Assim ele fez, abriu o baú, retirou o pergaminho de número um e começou a ler: Amor por si e pelos outros, ricos, pobres, arrogantes, humildes, persisitir até conseguir, colocar um tijolo de cada vez, retirar do vocabulário palavras e expressões como: desistir, improvável, incapaz, fracasso, impraticável, fora de cogitação, impossível, sem esperança e recuo.

Pois são palavras e expressões de tolos. Mesmo que o desespero tente me contagiar, prosseguirei assim mesmo. Ignorarei os obstáculos sob meus pés e manterei meus olhos firmes nos objetivos acima de minha cabeça.

Persistirei até alcançar êxito.

Tentarei e tentarei e tentarei de novo.

Jamais permitirei que o dia termine com um fracasso.

esquecerei os acontecimentos do dia anterior, sejam eles bons ou maus, e saudarei o novo dia com a certeza que será o melhor dia de minha vida.

Tudo que eu ganhar, dividirei com os pobres.

Se persisto bastante, vencerei. Sou único, não existe ninguém no mundo que ande ou fale igual à mim. Eu sou o maior milagre da natureza.

Eu persistirei.

Eu vencerei.

Seguindo esses ensinamentos Hafid transformou-se no Maior Vendedor Do Mundo, e muito rico.

Quando pressentiu que o próximo escolhido estava para aparecer, doou toda sua riqueza para os pobres, ficando apenas com o suficiente para viver com conforto o tempo que lhe restava.

Um certo dia apareceu no portão do palácio de Hafid um homem maltrapilho, querendo falar-lhe com urgência.

Hafid ouviu toda sua história, pois esse homem dizia ter sido ali enviado por Jesus, o Messias. Trazia consigo uma túnica vermelha suja e manchada de sangue, com a estrela de Pathros bordada em seu tecido.

Hafid segurando a túnica emocionado, pediu que o homem lhe contasse tudo que sabia sobre a história de Jesus.

O homem contou que Jesus havia nascido numa gruta em Belém.

Hafid logo entendeu que estava diante de seu sucessor: O MAIOR VENDEDOR DO MUNDO.

Dia dos Finados???

Dia de Finados

Você já parou para pensar no sentimento que move as criaturas diante da morte de um ser
querido? Se você nunca teve essa experiência, dificilmente conseguirá pensar devidamente.
É que a morte ainda no Ocidente é uma grande hidra. As criaturas têm um medo terrível da
morte e do morrer. Muito pouca gente se dá conta de que a morte é o reverso da medalha
da vida. Para que nós tenhamos vida, há necessidade de que haja morte.
No planeta material em que nos encontramos, todas às vezes em que nós falamos do
fenômeno da vida, só o falamos porque esse fenômeno está atrelado ao da morte. Para que
uma coisa viva, outra coisa terá que morrer. Para que a planta viva, a semente morre. Para
que o pão apareça, temos que triturar o grão. Dessa maneira, para que nós, seres humanos,
vivamos temos que matar tantas plantas para nos alimentar, alguns animais que alimentam
a nossa mesa.
Temos que digerir, que deglutir uma quantidade enorme de partículas de vida que estão
pelo espaço, pelo ar que respiramos. Temos que gastar uma quantidade muito grande de
oxigênio para podermos sobreviver.
A morte significa muito pouco no conjunto da vida. Afinal de contas, quando pensamos
nesse fenômeno do morrer e aprendemos que a morte é conseqüência do desgaste dos
órgãos, nos apercebemos que começamos a morrer quando nascemos, quando somos
dados à luz e temos que respirar com os nossos próprios pulmões. Aí começa o fenômeno
da queima, do desgaste do órgão, da morte.
Quando nós pensamos nisso, temos que ver que a morte é um fenômeno hipernatural. Tudo
que nasce morre, tudo que é matéria no mundo se transforma, e uma das formas de
transformação nós chamamos de morte. Um dos modos pelos quais as coisas se
transformam é a morte.
Morre a montanha de minério, para que surja a montanha de barro por exemplo. Morre a
ostra para que nasça a pérola. E dessa forma, nós verificamos sempre essa dualidade, vida
e morte, esse claro-escuro da vida e da morte que nos acompanha.
Valeria a pena pensarmos, nesse dia em que as nossas sociedades ocidentais
homenageiam os seus mortos. Chamamos Dia dos Mortos, Dia de Finados, não importa, o
que importa é que dedicamos um dia para prestar homenagem aos nossos antepassados,
aos nossos amigos, aos nossos afetos, aos amores nossos que já demandaram o Mais
Além, que já cruzaram essa aduana de cinzas da imortalidade.
No Dia de Finados encontramos tanta gente verdadeiramente mobilizada por sentimentos
de fraternidade, de ternura, de amor, que vão aos cemitérios, aos Campos Santos, na busca
de homenagear os seus entes queridos. Merece todo respeito essa iniciativa.
Nada obstante percebemos quanto que vamos ficando escravizados dessa situação,
imaginando, supondo, pelos aprendizados que fizemos das nossas religiões, ou pelas
coisas que ouvimos falar aqui e ali, que os nossos mortos estão lá. Chegamos a ouvir as

pessoas dizerem: Eu vou visitar a cova do meu pai. Eu vou visitar a sepultura de minha
mãe.
Como se ali estivesse o seu pai, como se ali a sua mãe estivesse.
Lemos inscrições tumulares do tipo Aqui jaz Fulano de Tal, mas não é verdade. O Fulano de
Tal que nós queremos homenagear não jaz ali na sepultura. Ali estão seus despojos, ali
estão seus restos mortais.
É como se nós tirássemos uma roupa imprestável e atirássemos essa roupa na lixeira.
Esquecemos dela, deixamos que o tempo cumpra o seu papel. Nenhum de nós teria a idéia,
de todos os dias, ir lá visitar a roupa velha e imprestável, atirada no monturo.
Então, nada obstante esse respeito com que nós, cristãos, encaremos essa relação com os
mortos, com o morrer, por mais que estejamos com esse intuito de homenagear aos nossos
seres queridos, será muito importante criarmos o hábito de pensar neles vivos.
Ali na cova, na sepultura não jazem nossos entes queridos. Eles jazem, eles vivem, eles
vibram, na nossa intimidade, nos nossos pensamentos. Eles se movem no Mundo dos
Espíritos.
Ao pensar nos nossos mortos, cabe ter essa certeza de que os nossos mortos vivem, eles
não estão jazendo nos sepulcros.
Que coisa grotesca será imaginar nossos seres amados enterrados na sepultura com os
seus despojos! Vale a pena pensar numa gaiola vazia, donde o pássaro já se foi? Vale a
pena pensar nisso?
O nosso corpo físico, durante um tempo mais ou menos largo, serve-nos de morada, servenos
como uma gaiola que, ao mesmo tempo que nos ajuda a aprender, a crescer, também é
um instrumento através do qual resgatamos aquilo que devemos em face da vida,
coloquemos em ordem a nossa consciência com as Leis Divinas.
Logo, o Dia de Finados, o Dia dos Mortos deveria ser um dia sim, de homenagem aos
nossos seres queridos, mas de outra maneira. Aprendermos a fazer um levantamento de
como se acham nossas disposições na vida, se estamos vivendo de acordo com os
ensinamentos de nossa mãe, de nosso pai, se os estamos homenageando, glorificando
seus nomes, pelo tipo de criatura que sejamos: dignas, nobres, amigas, fraternas,
cooperosas, dedicadas ao bem.
Afinal de contas, de que outra maneira melhor nós poderíamos homenagear os nossos
mortos? Nem sempre levando flores para enfeitar os sepulcros onde se acham seus
despojos. Aqueles recursos das flores, quantas vezes poderiam ser transformados, em
nome dos nossos mortos, em leite para uma criança pobre, em pães para o necessitado, em
remédios para um doente que não os pode comprar, em cadernos para que alguma criança
aprenda.
Nós podemos converter aquela quantidade enorme de cera que compramos para queimar
nos cemitérios, que não vai levar a lugar algum os nossos mortos, que não precisam de cera
queimada, converter isso em roupa, em alimentos, em agasalho, em material escolar, em
medicação, em acompanhamento, em homenagem aos nossos mortos.
Quando presenteássemos uma criança com o kit de material escolar, nós poderíamos dizer
a ela, caso ela entendesse, ou aos seus pais: Faça uma prece por Fulano de Tal, que é meu
filho, que é meu pai, que é minha mãe, que é meu irmão, ou meu amigo.
Nós teríamos formas tão mais agradáveis, tão mais felizes, de homenagear os nossos
mortos. E cantar, brincar, e nos alegrar, como eles gostavam que nós fizéssemos.

No Além, eles continuam gostando. Quantos filhos que se foram para o Mais Além e suas
mães começam a morrer aqui na Terra. Não se tratam mais, não se cuidam mais, não os
respeitam mais.
Se seus filhos gostavam de vê-las bem vestidas, bem cuidadas, alegres, joviais, em
homenagem a eles, no Dia dos Mortos e em todos os dias da vida, continuem assim, bem
cuidadas, dispostas, alegres. O que não nos impede a lágrima de saudade e nunca a
lágrima de revolta.
Se os nossos filhos gostavam de saber que nós estamos envolvidos em atividade social, em
alguma atividade do bem como voluntários, servindo numa escola, servindo num velhanato,
num hospital, vamos continuar a fazer isso em homenagem a eles, em nome deles que de
onde estiverem, nos aplaudirão, nos incentivarão.
Se tivemos nossos entes queridos desencarnados em situações drásticas, pela drogadição,
pelo vírus do HIV ou pelo suicídio, mais motivos temos de rogar a Deus por eles, de
homenageá-los, fazendo toda a cota de bem que nos for possível. Em honra deles.
Não tenhamos qualquer mágoa deles. Não imaginemos que eles estejam perdidos para
sempre. Nunca suponhamos que Deus os vá castigar por sua fragilidade, porque Deus não
é um juiz que sentencia. Deus é um Pai que ama, e certamente, se nós estamos fazendo as
coisas boas para homenagear no Dia de Finados, ou ao longo dos dias do ano, os nossos
amores que foram para o Além, por vias naturais ou por alguma enfermidade, o que é que
não faremos para homenagear àqueles que saíram de maneira tão triste, tão lastimável da
convivência com o corpo físico.
Por isso é que a nossa oração por eles deverá partir do nosso coração, do mais íntimo do
nosso ser, pensando em Deus como o Pai comum de todos nós, mas nos colocando diante
da vida de maneira muito operosa, nos tornando pessoas úteis, a fim de que o Dia de
Finados transcorra para nós como mais um dia em que homenageamos os nossos seres
queridos que demandaram o Mais Além, na vibração, na torcida, fazendo os votos para que
os nossos amores, que já se transformaram em estrelas, sejam felizes nessas dimensões
do Invisível, junto a Esse amor incomensurável de nosso Pai Celeste.
José Raul Teixeira